quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Que tal parar de procurar a pessoa perfeita e olhar ao redor?

frasesmalfeitas:

A garota sorriu. Sorriu um sorriso daqueles vazios, daqueles sem emoção. Seus olhos estavam distantes. Lembrava de coisas que não devia lembrar, pensava em coisas que não queria pensar. Amava quem não podia amar. Lembranças antigas, partidas, acabadas, meio remendadas, invadiam-lhe a mente de tempos em tempos. Palavras que ficaram gravadas em seu peito revolviam e machucavam-lhe como facas afiadas.

— Você me deixa fraco.
— Aham…
— É. Tipo o Superman e a Criptonita.

Ele era seu superman, ela era sua criptonita… Ela mexia com ele. Mexia. Mexeu. Passado e presente misturavam-se numa cabeça ainda confusa. Ela limpou mais lágrimas que tornavam a cair em seu rosto magricelo: não comia, não vivia, então já havia tornado-se nada mais que pele e ossos. Alimentava-se da tristeza, da falta dele. Ou a falta dele alimentava-se dela… Não se sabe. Ela buscou o celular. Era hora da tortura, não era? Hora de ler as velhas sms. Ler aquelas velhas promessas de amor, aquelas velhas palavras que embalavam seu sono, aquela antiga realidade que hoje em dia não era muito mais que um sonho.

Respirou fundo, lutando contra as muitas lágrimas que tentavam lavar-lhe o rosto de novo. Ah, como doía… Como doía ter que se forte, ter que segurar o choro. De novo, mais uma vez, novamente, pra sempre. Tirou da pasta de sms. Não seria forte se lesse mais uma daquelas. Olhou para o calendário. 15. Dia 15. Maldito dia 15. Não aguentou: tornou a chorar. De novo, mais uma vez, novamente, pra sempre. Dia 15, dia 15, dia 15. Mais memórias bombardearam aquele coração que já estava bagunçado, com a estrutura balançando.

Quebrou, é claro. Caiu. Estraçalhou. E ela continuou a chorar, agarrando-se a um travesseiro e tentando não fazer mais besteiras que a fariam chorar ainda mais. Tentando não fazer mal a si mesma. Pegou o celular novamente, mas dessa vez foi para buscar alívio e não tortura. Discou o número de sua melhor amiga; talvez, quem sabe, ela lhe impedisse de fazer besteiras…

— Me ajuda.
— O que?
— Me ajuda.
— De novo?
— Me ajuda…
(silêncio)

— Dói.
— Não chora. Não chora. Não chora.
(soluços)
— Não chora. Não chora. Não chora.
— Eu vou…
— O que?
— … Outra ligação. Espera.

Sabia que ia arrepender-se disso: tinha certeza. Sabia que depois iria ligar para a melhor amiga de novo, desesperada, em lágrimas… Mas desde quando a menina pensava antes de fazer as coisas? Ela respirou fundo. Respirou bem fundo. Respirou. Respirou e discou o número que conhecia tão bem. Dois oitos. Dois. Três. Digitou o resto do número. Respirou de novo. Tentou se acalmar: começou a tremer. Tentou segurar as lágrimas: agora soluçava alto de desespero. Tentou desistir: apertou o botão verde que confirmava a ligação. Foram os dez segundos mais demorados de sua vida. Se ele não atendesse, acabou. Ou acabaria. Se houvesse algo. Ela quis desligar, mas quando seu dedo alcançou o botão, já era tarde demais.

— Alô.
Aquela voz. Aquela voz. Aquela voz era sua. Aquela voz era sua paz, sua… sua…sua. Ela abriu a boca e fechou. Abriu e fechou. Nervosa. Tentava não errar. Tentava fazer algo certo. Uma vez, pela primeira vez, definitivamente.

— Alô? Aff, vei, se ligou só pra fazer sacanagem, vá…

— Oi — na falta de algo melhor, era o que ela tinha pra lhe dizer. “Oi”. “Oi, sou aquela que você costumava amar”. “Oi, sou aquela que sente tua falta todos os dias”. “Oi, sou aquela que ainda te ama”. “Oi, sou aquela que não te esqueceu”. “Oi, sou aquela que faz tudo errado”. “Oi, sou aquela que vai te amar pra sempre”. Tantas coisas imbutidas numa palavra só. Tantas coisas não ditas que tinham que ser postas na mesa. Tantos medos. Tantos tudo. Eles sempre tinham sido um casal assim: tudo ou nada. Ganhar ou perder. Tá péssimo ou tá bom. Tá fofo ou tá um saco. Nunca souberam ser metade, só souberam ser extremos. E tinha que ser assim, tantos “tanto”, ou não seriam eles. Ele ficou em silêncio alguns segundos. Ela pensou que ele iria desligar. Já havia dado até um suspiro baixo, quase mudo, de desistência. Por que diabos tinha ligado? Por que demônios era tão imbecil em torturar-se mais ainda? Quando estava para chorar (de novo, novamente, mais uma vez), ele respondeu.
— Oi. Quanto tempo — havia um grande barulho encobrindo sua voz. Estava numa festa, talvez? Claro que estava numa festa. Na cabeça dela, ele havia esquecido-a tinha tempo. Aliás, nem sequer a tinha esquecido. Esquecer o que, se ele nunca tinha a amado? Ela ficou em silêncio, pensando no que falar. Ou se ia falar.
— Sim. Muito tempo. Eu… Desculpa por ter te ligado. É que é dia 15. E eu lembrei de você. Não porque era dia 15. Na verdade, eu ando lembrando de você todos os dias. O tempo todo. Nunca… Nunca consegui… te tirar aqui do peito. Ninguém nunca consegue, né? Esse é você. Ninguém consegue te superar. Nunca. Talvez eu seja a que mais me entreguei. Naquela minha intensidade, naquela minha maluquice, eu fui toda tua. Cem porcento. Sincera. Desse meu jeitinho mesmo. Nunca mudei. Nunca mudei e me entreguei. Me entreguei à você. E você nunca me entregou de volta.
— Essa é uma ligação de cobrança? Você está me cobrando você?
— Eu acho que, talvez, esteja ligando na esperança de que possa te cobrar você. Sabe? Na esperança de que você tenha sido um dia tão meu quando eu ainda sou tua, e de que eu ainda possa te cobrar para cobrir esse buraco que eudeixei dentro de mim. Sabe? Cobrir esse buraco — ela suspirou. — Não estou falando nada com nada, estou? Faz tempo que eu não falo algo com sentido… Desculpa… Tô perdida…
— Perdida? Perdida onde, gordinha?
Uma lágrima (silenciosa, graças a Deus) escorreu pelo rosto da menina com a menção do velho apelido. Ele tinha que estar brincando com ela. Ele sempre fez isso. Ele sempre a teve na mão. Sempre soube como trazê-la pra perto, e como lançá-la pra longe. Ele sempre a soube por completo.
— Perdida aqui dentro. Tá tudo uma bagunça. Tudo uma bagunça. Você deixou uma bagunça pra trás. Eu me perdi nessa minha vida sem você, mas a minha vida… ela meio que é você. Meus pensamentos… você. Meu coração… você. Nada me deixa te esquecer, então pra mim… Minha vida é você. E só vai deixar de ser quando tudo nela parar de te lembrar.
— Mas isso não vai acontecer…
— É… Talvez. Talvez eu só tenha que superar essa tua ausência, esse teu gelo, essa tua indiferença, essa dor que tu deixou. O que era amor virou dor. O que era dor… bem, dor é amor, amor é dor, tá tudo misturado. Falei que tava uma bagunça, né? E eu sei que… você deve estar me achando um saco… Olha, foda-se. Eu só preciso te falar esse monte de coisa, antes que eu morra entalada. Se bem que “morrer” é um termo relativo. Me sinto meio morta. Meio zumbi… Sabe? Você entende? Eu levanto, tomo banho, penteio o cabelo, escovo os dentes, como, escovo os dentes, acordo, vou estudar, como, escovo os dentes, durmo. Mas eu faço tudo isso e pareço um robô. As coisas não me tocam mais. E se me tocam, é porque me lembram você. Sabe aqueles filmes que eu amava? E aquelas séries que eu assistia todos os dias? E as músicas? — pausa. — Ai, como eu odeio elas. Odeio elas porque me lembram você. Você me roubou tudo que eu tinha, garoto. Parece até aqueles pilantras de rua. Pegou tudo e saiu correndo. Qual é o seu problema, hein? Você é que nem um pilantra de rua? Faltou amor? Educação? Carinho? Faltou o que? Me diz, o que te faltou. Me conta, o que eu não pude te dar. Me fala, o que faltou?
Ela silenciou, arfando, esperando uma resposta. Não chorava mais, mas tremia. Tremia e tremia muito. Balançava de cima de sua cama. Ai que merda ai que merda ai que merda ai que merda ai que merda ai que merda. Ele demorou mais do que cinco minutos pra responder.
— Não sei o que faltou, gordinha. Mas faltou.
— Eu sei que não sou perfeita, eu sei que sou toda errada, mas eu… Eu.. eu não faço por querer… Todo mundo sabe disso, você sabe disso. Por que… Foi assim por tanto tempo, por que tão de repente? Por que de repente esse detalhe tão meu fez com que faltasse tudo?
— Eu amo você, gordinha. Eu amo. Amo mesmo. Vou continuar amando por um tempinho. Acho que por um bom tempinho. Mas eu cansei, gordinha. Cansei de lutar contra você. Contra mim mesmo. Contra meu orgulho. Contra meus ciúmes. Contra tuas merdas. Contra todas essas outras garotas que, admita, não merecem que eu as machuque como eu te machuquei. Ninguém merece. Contra esses trocentos mil quilômetros que me impedem de te calar com um beijo todas as vezes que eu quero. Contra esses trocentos mil quilômetros que me impedem de te ter para mim. Tipo… Como eu sempre quis. Como você sempre quis. Como nós sempre quisemos. Nós, né. Outro assunto complicado. Já te machuquei muito com isso antes. Mas… Não tem mais nós. Não tem. Acho que nunca mais vai ter. Tem eu. Tem meu amor por você. Tem você. Tem o seu amor por mim. E tem o seu orgulho, e o meu orgulho, que parecem até que tão de planinho o tempo todo: olha, quando eu não quiser abaixar a guarda, tu também não quer! E eu cansei disso no meio do nosso nós, A. Cansei disso no meio do nosso nós. Isso esteve tanto tempo aí… Olha, não tem mais nós — a voz dele falhou. Ela soluçou.
— … Não diz isso… não diz isso… Não…
— Não tem mais nós.
— Não…
— Não tem mais chance.
— Tem…
— Para com isso, menina. Para de se iludir. Para de fingir. Para de mentir. Você sabe tão bem quanto eu que não tem nós. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Mas… É suficiente? É suficiente para você? Você confia em mim? No meu amor?
— Não. Mas eu te amo. Eu posso confiar. Eu posso… Eu sei que posso. Me dá só mais uma chance de fazer isso ficar certo. Só uma. Uma. Uma.
— E eu também não confio nisso, gordinha. Não… consigo confiar. A gente já errou tantas vezes, né? Eu errei. Tu errou. Pra caralho, os dois. A gente só faz merda.
— É. Eu sei. A gente só faz merda. O tempo todo. O tempo todo. Sem parar. A gente só faz merda. A gente tá fazendo uma agora. Sabe qual é? Desistir um do outro.
— Mas a gente tem que. É melhor. Não é certo. Nós não somos certos.
— Nós não somos certos. Nunca fomos. Mas somos nós.
— Não somos.
— “Somos”. Primeira pessoa do plural do verbo “ser”: nós. Nós somos. Eu e você. Nós.
— Para.
— Só preciso de mais uma chance. Uma. Por favor.
— Para de me torturar. De se torturar.
— … De nos torturar. Eu e você. Nós.
— Eu. Você. Separados. É essa a realidade, gordinha. Por mais que eu sinta tua falta, por mais que eu ainda te procure e por mais que eu ainda pense em você, nunca mais vamos ficar juntos. Nunca mais vai ter eu junto de você, ou você junto de mim. Só nos restam lembranças. Muitas lembranças. Lembranças que doem. Doem em mim. E em você. Foi bom falar com você, minha gordinha. Sentia saudade da tua voz, e dessa tua confusão. Sentia falta. Mas não me liga mais… Não me liga mais porque dói.
— Não precisava doer…
— Precisava sim, gordinha. Não me liga de novo. Nunca mais.
— […] Promete lembrar de mim nos dias 15?
— Em todos os dias.
— Então tchau.
— Tchau?
— Tchau. Adeus. Até nunca mais. Vou te deletar. Fingir que tu não existe. Não é o que tu me pediu? Não quero. Não quero viver sem você. Mas vou.
— Tchau? Como que tu diz tchau pra uma coisa que mora no teu peito?
— Ah, garoto… Tchau. Tenho que aprender a viver sem você.
— Eu te amo, gordinha.
— Eu te amo.
— Que pena que não foi o suficiente.
— Que pena que não foi o suficiente para você.

[Fim da ligação]
[Fim do nós]
[Fim da relação]
[Fim das tentativas]
[Fim dos medos]
[Apenas mais um dia 15 pro amor dos dois]

domingo, 16 de outubro de 2011

Esse é o ultimo choro antes de tentar ser feliz.

Fechava os olhos freneticamente, a visão girava. Mirou os olhos para o céu e sentiu o corpo quase que perdendo o equilíbrio. Por Deus, não devia ter bebido tanto… Que exagero. Não ia ajudá-lo a tirar aquele sorriso da cabeça. […] Que droga. Já nem sabia mais o que falava, o raciocínio estava lento; e completamente ao contrário do que queria, a saudade aumentou. A imprudência apurou e o medo foi embora. Enfiou a mão no bolso e puxou o celular com força. Puta merda, não enxergava nem o “Tim” na tela do aparelho… Ainda bem que sabia de cor como fazia pra chegar à lista de contatos.

— Que tá fazendo, João? — Ouviu uma voz que nem era capaz de reconhecer. Talvez do Pedro, ou do Gustavo… Enfim, não fazia diferença.

Fez um movimento meio estranho com as mãos e ignorou a pergunta; estava concentrado demais. Rolou os dedos pelas teclas e finalmente enxergou o nome “Júlia” entre aqueles tantos outros. Sem pensar, apertou o botão para ligar e apoiou a mão na orelha de uma maneira confortável. Respirou fundo e expirou ansiosidade; o coração já pulsava forte e, bom… O medo começava a voltar.

— Alô.

Meu. Deus. Que porra estava fazendo?! Era a Júlia, cara… A Júlia! Nunca mais ia beber na vida, e isso era fato. Já estava se arrependendo, e não fazia nem sequer um minuto que a ligação havia sido feita.

— Alô-o? Alguém aí? - A voz doce soou do outro lado da linha. Devia estar parecendo um psicopata, já que a garota só ouvia sua respiração atenuada na ligação.

— É… Oi. Sabe quem é? — Respondeu com um tom fraco, nervoso.

— […]

— Sua vez de não parecer psicopata, Júlia.

— Desculpa.

E… Ela desligou. Isso, perfeito João. Você é realmente muito esperto. Quem mandou inventar de ligar pra tua ex? Quem deixou? Quem foi o idiota que pensou em fazer isso? Você, né, mas é claro. Você é sempre o idiota, seu otário. Tem que aprender a deixar de ser imbec… Opa, tá vibrando. O celular tá vibrando. Quase o soltou no chão pelo susto que levou, mas depois abriu um sorriso rápido no rosto e atendeu. Ou quase isso. Porque… Ficou em silêncio.

— Tá me ouvindo?

— Tô. — Ele respondeu com o coração na boca.

— Então… Desculpa de novo. Eu fiquei nervosa na hora e agi sem pensar. Mas aí depois fiquei com saudade. — Falou a última parte baixinho.

— Eu sinto isso bastante ultimamente.

— É… Faz tanto tempo que a gente não se fala que… Sei lá.

— Sinto principalmente da tua voz. E do teu jeito, do teu sorriso…

— Você tá bebado? — Riu.

— … Dos teus olhos, do teu abraço. De você, Júlia, que saco.

— Desculpa.

— Pelo quê? Por não sair da minha cabeça?

— Eu…

— Tu não tem culpa. Quem tem que pedir desculpa sou eu.

— Então por que eu me sinto tão culpada?

— Porque as coisas não eram pra estar assim, e tu sabe disso.

— Como acha que deviam estar?

— Que nem eram antes.

— […]

— Eu não consigo lembrar em que momento tudo passou a dar errado, não sou capaz de dizer o porquê e nem a causa.

— As coisas de uma hora pra outra simplesmente mudaram. Isso acontece.

— Mas não era pra ter acontecido.

— E você não fez nada pra mudar.

— Autch. Usar palavras do mesmo jeito que se usam facas devia ser proibido.

— É só a realidade.

— Dói do mesmo jeito. Depois de tudo, eu só devia ir embora e te esquecer. Não te ligar em uma noite de quarta feira em que não fui trabalhar e enchi a cara. Eu devia ter feito tanta coisa, né Júlia? Tanta coisa pra te afastar de mim. O problema é que eu não consegui. Ou melhor, eu não quis. Porque ia doer mais ainda te ver distante. Então para de falar sobre como eu agi errado e sobre como eu fui um otário, porque eu já sei de tudo isso. Sei tanto que vim correr atrás de ti, por mais que você nem lembre mais de mim.

— Você acha mesmo que…

— Não, não lembra. E nem vem me dizer o contrário.

— O problema é que “o contrário” é a verdade, João. Eu penso em ti muito mais do que o que devia pensar, e eu odeio isso. Eu tenho outro cara e ainda penso em você. Eu tenho o certo em mãos, mas ainda prefiro o errado… Por que diabos você sempre me puxa pra perto de você? Mesmo quando eu quero ficar longe?

— Olha, eu não sei se sorrio ou se choro com isso que você falou.

— […] Por que?

— Tu tem outro? Que história é essa? — Ela soltou uma risada baixa, triste.

— É.

— Desde quando? — Sussurrou.

— Semana passada fez dois meses.

— E o nome? Idade? Trabalha em que? Porra, me conta isso direito pra eu fingir que não me importo tanto. E responde logo, vai.

— É incrível como você tem um jeito só teu.

— Para de enrolar.

— E como você fica tão… Lindo com ciúmes.

— Ai, minhas bolas.

— Que saudade, cara.

— Vai pro inferno, na boa. — Riu — Dá pra responder as minhas perguntas, por favor? Grato.

— Eu não quero falar sobre ele, seu idiota. Até parece, né. Imagina se eu quisesse te obrigar a falar sobre todas as gurias que tu já pegou nesses onze meses? O que tu faria?

— Eu diria como eu procurei você em todas elas.

— […] Você nunca vai me deixar viver a minha vida sem pensar em ti durante 24 horas por dia, né? Sabe quanto tempo isso que você falou vai ficar na minha cabeça? — Ele deu uma gargalhada longa e depois suspirou.

— Eu gosto de ser idiota.

— E eu gosto quando você é.

— Sei que gosta… Lembra que há menos de 2 minutos eu estava irritado com você?

— Lembro. Só porque eu tentei seguir a minha vida.

— É, conversar contigo me faz esquecer de coisas ruins. E é bom que saiba que eu tô feliz pra caralho agora que sei que você tá tentando, não conseguindo.

— Pensei que já soubesse antes.

— Não… Eu pensava que era só eu. Isso meio que fodia comigo.

— Nunca foi. Acho que eu sinto a tua falta desde o minuto em que tu disse que tinha acabado. — João riu.

— É, eu realmente disse isso, mas nem sei o porquê. Eu sabia que não tinha terminado. Não pra mim.

— Nem pra mim.

— Qual é, Júlia… Você tá complicando as coisas.

— Como assim?

— Se liga, né. Tudo o que eu sinto, tu sente também. É tudo recíproco. A saudade, a falta e… O sentimento. E se a gente sente igual, por que ainda estamos separados? É isso que fode tudo. Não tem explicação. Não é “as coisas deram errado” que vai responder a pergunta.

— Mas… João, eu tô com outro.

— E daí? Tu não ama ele.

— Amo.

Silêncio.

— Eu segui a minha vida. Tô tentando, pelo menos. Meu “nós” é com outra pessoa agora; o nosso é passado. Acabou. Terminou. Não devia, mas aconteceu. E aí eu aprendi a ir em frente, ainda que tu me puxe pra junto de ti às vezes. Tipo agora.

— Eu não quero ficar assim contigo.

— Não precisamos.

— Se for pra deixar do jeito que tá, vai ficar pior ainda. Eu te conheço. Tu vai se afastar, fingir que nada aconteceu. Amanhã nem vai mais lembrar dessa ligação. Aí eu vou sentir uma puta falta tua de novo, enquanto tu vai estar com o teu bonitinho aí. A verdade é que tu me superou, mas eu ainda não fui capaz de fazer isso contigo. Tu ainda tá muito viva em mim, Júlia. Caralho.

— Ai, que engraçado.

— O que?

— Tu fala como se eu realmente tivesse te superado, né. Eu acabei de admitir que lembro de ti muito mais do que o que devia e tu vem me falar isso?

— Se tu realmente não tivesse o feito, não conseguiria estar com outro agora.

— Mas você já esteve.

— Não.

— Nunca?

— É. Não consegui porque sempre pensava em ti quando estava com ela.

— […] Desculpa.

— Para de falar isso, tu não me deve desculpas. Não me deve nada.

— Tudo bem. — A voz se mostrou triste.

— Ei… Eu vou me arrepender por dizer isso, mas eu ainda te amo. E vou continuar durante um bom tempo.

— Eu também.

— Também me ama?

— É, também te amo. — Ele riu.

— Só queria ouvir essas palavras. Saudade, Júlia. Muita. Tenho que desligar agora.

— […]

— Boa noite, te cuida.

— Tu também. Prometo que vou tentar pensar menos em ti.

— Por que?

— Porque é melhor.

— Tu não é a melhor pra mim, e eu vou continuar pensando em você com a mesma frequência. Talvez um pouquinho mais.

— Larga a mão de ser idiota, João! — Riu — Tu nem vai lembrar disso amanhã. Tá bebado, cara.

— Vamos ver, então. Te encontro por aí?

— Com certeza.

— Não me esquece.

— Pode deixar, não vou.

— E… Me espera. Por favor.

Ligação terminada.