quarta-feira, 2 de novembro de 2011

“Essa chuva estrondosa batendo no para-brisa está acabando com a sua visão assim como eu acabei um dia. Só que diferente dela, eu embacei tua vida… Permanentemente. […] Eu só ando de metrô e você nunca entendeu o porquê. É que a chuva me embaralhava toda; me lembrava das lágrimas derramadas num balde velho e que logo em seguida seria jogado pela janela. Mas, passa rapidinho. É só você se firmar na corda por um tempo… Você aguenta; eu aguentei. Aprendi que as coisas um dia sempre se ajeitam, independente do quão difícil parecem estar no momento. A única coisa que não se ajeitou ainda foi você. Você e eu. Porque a única maneira de ficar certo seria ao meu lado… E você está tão longe agora, não acha? Tão distante, tão inalcalçável. Digo isso porque já tentei me aproximar… O problema é que doeu demais. Muito mais que qualquer outra coisa. Mas eu disse, passa. Logo, tu começa a escolher as cordas certas a se firmar. Aquelas sem tantos nós, digo. Desatá-los exige tempo; paciência demais. Não que eu os tenha em abundância, só que tu já desperdiça horas demais tentando passar pela chuva sem se molhar. Perde vida demais tentando ver a clareza na escuridão. Se concentra, anjo… Acha o silêncio que convive junto ao estrondo. Acha o sol que vem após a chuva. E imploro-te: me acha; junto a brisa, jogada no mar.”

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