sexta-feira, 18 de novembro de 2011

“— Está triste comigo, moça?
— Não triste, Zé, mas confesso que um pouco magoada.
— Magoada?
— É, magoada!
— Qual a intensidade disso? Não queria ter te magoado. Vai passar?
— Vai, Zé… sabe quando criança? quando caímos e aquele local fica sensível e roxo?
— Sei.
— Então, é quase isso, com um tempo o roxo vai ficando azulado, que vai ficando amarelado, que vai ficando esverdeado, depois volta a cor normal e só resta a cicatriz.
— É? E a cicatriz?
— É! Acho até que já me acostumei, sabe?! A cada queda levanto-me e faço um novo começo. Mas a cicatriz… ah, essa sempre vai estar lá, inapagável, Zé!
— (Silêncio)”
— Ensejos.

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