quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Última carta ...


Há muito tempo eu venho escrevendo dele como desabafo, ou até mesmo escrevendo para ele com a esperança inocente de que algum dia ele lesse e entendesse tudo que se passa aqui dentro. Mas o tempo passou. Ele não leu. Nada mudou. Nada aconteceu. O mundo não parou de girar e só eu fiquei aqui estacionada no passado enquanto tudo a  minha volta seguia um rumo e eu só ficando pra trás tentando recuperar algo que já estava perdido à muito tempo. Eu desisti de seguir minha própria vida sem ele  por um tempo, pode até parecer meio exagerado e se alguém me dissesse isso há algum tempo atrás eu acharia loucura, mas eu realmente não sabia o que fazer dos meus dias, eu estava completamente perdida. Por muito tempo eu nem sabia quem eu era de tanto que a dor me mudou. Eu ia dormir pensando que quando eu acordasse esse pesadelo acabaria, mas eu estava enganada, porque o pesadelo começava mesmo é quando eu abria os olhos a cada manhã. Eu tentei me aproximar de todas as lembranças achando que eu sentiria sua presença de alguma forma, mas percebi que isso só aumentava aquela dor no coração. Naqueles dias, eu me senti sozinha, abandonada e mesmo rodeada de pessoas que queriam meu bem eu sentia aquela solidão aqui dentro sabe. Passei muitas noites, inúmeras noites eu abafava o choro no travesseiro e ficava ali encolhidinha chorando baixinho até dormir, eu queria dizer que esse tempo já ficou pra  trás, mas não ficou, porque ainda deixo uma lágrimazinha escapar todas as noites quando as  lembranças me inundam a mente me fazendo transbordar pelos olhos. Não é como se o tempo ajudasse, pois os dias foram passando e nada ficou melhor pra mim, eu ainda me sinto mal quando vejo aqui as cartas que lhe escrevi  e que infelizmente o tempo correu e as coisas aconteceram antes que eu pudesse lhe entregar, você deve ter achado que eu esqueci, mas não, eu fiz uma carta para cada um daqueles sete dias que você ficou longe de casa e longe de mim. No dia do meu aniversário ele me deu um parabéns que para mim valeu mais que todos os presentes que eu ganhei naquele dia. Mas aquela alegria que eu senti o dia todo depois de ter falando contigo foi se esvaindo aos poucos até não sobrar mais nada e eu cair nessa maldita melancolia outra vez! Eu já quis tantas vezes te  ligar, te mandar mensagens, ir a tua casa, seilá te procurar de alguma forma só pra você me ver ali, não esquecer de mim, mas  eu não fiz nada disso, não fui capaz, eu nem sei o que eu faria, porque  ao mesmo tempo que eu tenho vontade de te prender em meus braços  um momento se quer tenho vontade de te dar um soco e quem sabe até inventar alguns palavrões novos na hora. Mas a  posição que estamos hoje define tudo certo? Estamos separados e isso significa  que paramos de procurar um pelo outro. Parece bobo, mas de um certo modo, as coisas estão voltando a se encaixar, parece que Deus ouviu minhas preces quando eu pedia quietinha que alguém cuidasse de mim, pois é, existe alguém que me faz realmente bem, deixa tudo melhor por algum tempo, não é algo certo, é como se ele fosse o sol trazendo o brilho para um dia quente de verão mas mesmo assim não afasta os fantasmas dos meus sonhos a  noite. Acho que comecei a escrever esse texto pra me libertar das amarras, me libertar de você até. Eu quero novos ares, novas  expectativas, novos futuros pra imaginar e novos presentes para viver, mas como já dizia um bom escritor ” para provar novos chás é preciso esvaziar a xícara” não é como se eu pensasse que daqui pra frente eu vou te esquecer por completo, quer dizer que não vou mais revive-lo todas as manhãs, não quero mas, não suporto mais. Mas fique tranquilo, pois vou guardá-lo com carinho em algum lugar dentro de mim que eu sinto que vai sempre pertencer a você. 
Com carinho, alguém que te amou muito.

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