quarta-feira, 24 de julho de 2013

Assim Falou Mário Quintana


Mover-se com a máxima amplitude dentro dos próprios limites.
A alma é uma coisa que nos pergunta se a alma existe.
O excesso de gente impede de ver as pessoas.
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.
A verdadeira coragem consiste apenas em não nos importar-nos com a opinião dos outros... Mas como custa!
A morte não iguala ninguém: há caveiras que possuem todos os dentes.
Quando guri, eu tinha de me calar à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem.
Não gosto de estar dormindo nem de estar morto perto de ninguém.
O segredo não é correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.
Sou um herege de todas as religiões.
A vida é preciosa como um pão roubado.
Decifrar palavras cruzadas é uma forma tranqüila de desespero.
O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.
Os eremitas deixam as más companhias pela má companhia.
Por que será que as pessoas virtuosas parecem que estão sempre representando?
O único problema da solidão é saber como preservá-la.
Não é quando estou trabalhando que as visitas me incomodam: é quando não estou fazendo nada.
As únicas coisas eternas são as nuvens.
Parece que só na vida é que há ficção.
Um bom poema é aquele que parece que está lendo a gente... e não a gente a ele!
Para que interpretar um poema? Um poema já é uma interpretação.
Nós não perdemos os mortos: os mortos é que nos perdem.
Nós vivemos a temer o futuro. Mas é o passado que nos atropela e mata.
Há noites em que não consigo dormir de remorso por tudo o que deixei de cometer.
Mas há os que se refugiam de Deus dentro das igrejas.
Quando deres opinião, nunca deixes de escrever a data.
Partir, tão bom... mas para que chegar?
(Publicados na Revista ISTO É, DE 1984 a 1988)