domingo, 7 de dezembro de 2014

Dias e Dias.
Não é que as pessoas sejam absolutamente más ou boas, é sim que uns são muito mais covardes e inseguros que os outros, estes mais bem resolvidos. A vida é um lugar interessante, geralmente a criança é resolvida; resolve que o mundo pode ser um lugar lindo, parte a fazer o que acha certo, mesmo sem ainda entender o que é isso, começa a ser sincero quando ninguém quer ser, olhar para onde ninguém quer olhar e rir de coisas que achamos engraçadas, mas, convenientemente, não se pode mais rir delas.
Fato: quando os pequeninos tem aquele sentimento de egoísmo, de querer mais atenção que o outro ou até de achar o brinquedo do amigo mais bonito, aquela “invejinha”; mas quando somos novos temos sonhos e acreditamos muito no poder que temos de conseguir cada um deles.
Um dia a gente vira adolescente, começa aquela fase do corpo a mil, de querer dar vazão aos sentimentos: um amor eterno por dia e o mundo todo para mudarmos. Que fase incrível! Quase tudo nos parece errado, menos nós mesmos: somos gigantes e podemos fazer tudo diferente.
O gigante para de crescer, começa a ficar pequeno, mal resolvido e muitas vezes aquele sentimento de que o mundo era injusto e poderia ser um lugar melhor, se transforma no seguinte pensamento: “o meu mundo é injusto, e devo fazer qualquer cosa para que ele fique melhor.”. Viramos Adultos.
E adultos, nos acovardamos com o mundo. Não todos, é verdade, mas uma parte assustadoramente grande, para de ligar para ética e moralidade. Faz o sentimento de justiça virar o de egoísmo. A pessoa começa a partir da premissa de estar acima do bem e do mal, e aqueles que não o entendem, ou são invejosos ou simplesmente não sofreram tanto para entender o porquê de se perder os princípios que norteavam o passado.
Como disse, ninguém é absolutamente bom ou mal, apenas uns são mais covardes e outros mais bem resolvidos. Vejo as pessoas de minha geração, todos mudamos, e mudamos para ser exatamente iguais as pessoas que criticávamos. Em alguns casos, criticávamos mal, em outros estávamos bem certos.
Os resolvidos, acertaram, podem ou não estar ricos, mas certamente encontraram em si mesmos o desejo de viver em um lugar melhor.
Os covardes, ansiosos por reconhecimento, também se encontraram em si mesmos. Mas eles descobriram a vontade de ter um mundo melhor para sí e ficam por aí dizendo que querem um mundo melhor para todos.
Um dia, se Deus assim quiser, vou ficar velha, desejo que quando a Velhice bater na minha porta, possa olhar para ela e dizer: “fiz o que acreditava ser certo e não o que seria mais fácil, fiz mais coisas boas do que ruins; pode entrar, quando você for embora e a Morte vier, não sei se a ela vou servir uísque, vinho ou água de torneira, mas o quer que eu despeje naquele copo, será furto do meu suor. Não da minha covardia.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário